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É preciso tomar um certo cuidado para não interpretar rapidamente esse mito como algo “8 ou 80″. O fato dos aprendizes não serem quem realmente conta no processo não significa que eles não são importantes. São importantes sim, porém não são os únicos envolvidos e nem o processo de aprendizado é o objetivo.

Não é apenas um grupo que deve ser levado em conta no e-learning, mas sim diversos grupos detectados através da visão sistêmica de todo o processo. São os stakeholders do e-learning e todos possuem papéis, expectaticas, medos, ansiedades e interesses distintos. Todos devem ser ouvidos para que haja sucesso.

Se tudo o que você pensa é se os aprendizes estão aprendendo, correrá o risco de perder onde está o seu real valor: no desempenho do trabalho e no impacto para o negócio. Isso significa satisfazer os patrocinadores executivos, os gerentes da linha de frente, os parceiros, os fornecedores, os cliente e outros que podem, com certeza, apreciar o que as pessoas aprenderam. (Marc J Rosenberg)

Apressar os funcionários , parceiros ou clientes para que adotem o e-Learning só porque ele está lá é como ter um “sonho acordado”. Mais provavelmente estimular as pessoas a utilizar e aceitar o e-Learning, especialmente durante um tempo prolongado, demandará trabalho – nas mudanças da gestão, das comunicações e da liderança – e tempo. (Marc J. Rosenberg)

O e-Learning efetivamente diminui os custos da oferta de treinamento. E, embora os executivos possam apreciar qualquer tipo de economia de custos que venham a conseguir, eles realmente gostarão dos benefícios substanciais que essa modalidade pode gerar na produtividade dos trabalhadores, na velocidade de implementação do ensino e na redução do tempo para a aquisição de competências. O valor econêmico real está no dinheiro que ele poupa a seus Clientes pela redução do tempo que leva para melhorar as aptidões e o conhecimento dos trabalhadores, para que eles possam ser produtivos mais rapidamente. (Marc J. Rosenberg)

É necessário olhar os benefícios gerados além da possível redução inicial dos custos com T&D. O e-Learning é uma chance de melhorar o treinamento dos trabalhadores gastando menos, mas se os investimentos forem reduzidos a níveis muito baixos do que é necessário, esses benefícios agregados não aparecem.

Esse mito é defendido por muitos como uma desculpa para não desenvolverem o e-learning, mas a verdade é que com o design instrucional correto e a ferramenta mais adequada, qualquer conteúdo pode ser ensinado online.

Porém, é necessário pensar com uma visão ampla. Buscar ou até mesmo desenvolver ferramentas que auxiliem na transmissão do conteúdo. O fato é que a tecnologia de e-learning vai muito além do que está disponível no MS Office (word, powerpoint e excel).

A sala de aula mantém um papel importante no processo de EaD, porém seu papel é outro.

Um modo pelo qual a sala de aula pode mudar, por exemplo, é mover-se de uma ênfase pronunciada nos fatores disseminadores para oferecer um meio em que equipes colaborativas possam descobrir, inventar ou, de outra forma, solucionar problemas complexos. Aqueles que acreditavam que o e-learning eliminaria a sala de aula estão tão desorientados como os que crêem que ele é uma moda passageira. (Marc Rosemberg)

Nesse contexto, o que significa “implementar o e-learning”? Para muitos, indica fazer com que a tecnologia funcione. Isso gera uma falsa sensação de segurança de que, uma vez que o “e-learning” esteja implementado, você já realizou a sua missão. Mas, sob o ponto de vista de valor, implementar o e-learning é um fator insignificante. O importante é o que pode ser feito com ele. O sucesso real para o e-learning está no nível de qualidade com que ele reforça o desempenho e o negócio. (Marc Rosenberg)

Tecnologia é menos da metade do caminho. É preciso saber onde se quer chegar antes mesmo de planejar a viagem. O problema é que normalmente nossa ansiedade nos faz pegar a estrada sem destino. E aí gastamos tempo, esforço e dinheiro em vão.

Grande engano! É o maior perigo na implantação do e-learning, talvez pelo fato de ser a falha mais comum.

Reafirmo que e-learning não é o LMS. A implantação pode funcionar com diversos LMS, modelos pedagógicos, design dos materiais e e outros aspectos técnicos. Olhe ao redor e você descobrirá sucesso de universidades e empresas com software proprietário, software livre ou software próprio. Da mesma forma encontrará fracassos utilizando as mesmas tecnologias.

Ter o MS Word instalado não transforma você em Shakespeare. E Shakespeare não precisava de MS Word.

Realmente o e-Learning não é fácil. Exige muito trabalho, dedicação e conhecimento de diversas áreas, como psicologia, design instrucional, administração, comunicações, design gráfico, e uma atenção especial às avaliações e estimativas de necessidades.

Sem isso em mente, o e-Learning pode até funcionar, mas requer mais esforço e tempo do aluno. Se o aluno não estiver motivado: evasão. Vai para a concorrência ou interrompe os estudos. Simples assim! Não é assim que você faz quando compra algo que não lhe agrada?

Essa preocupação multi-disciplinar deve estar presente desde o início. O que normalmente ocorre é uma preocupação em excesso sobre a tecnologia envolvida. Muito tempo e dinheiro é gasto no canal de distribuição e nos esquecemos do conteúdo. A analogia mais correta é usar um “SEDEX hoje” para entregar mercadoria estragada.

Nas palavras de Marc J. Rosenberg:

A hipótese geral é a de que a tecnologia  é a parte mais complicada e que a maior parte do trabalho e dos investimentos é dirigida para adquirir a tecnologia adequada. Isso é parcialmente verdade. As novas tecnologias são, de modo geral, repletas de bugs, têm custos maiores do que os previstos e uma curva de aprendizado mais significativa que o esperado. E se você não for cuidadoso, as questões tecnológicas podem ser sufocantes. Mas, adquirir tecnologia adequada não é nada comparado a obter o aprendizado correto.

Lembrando que o e-Learning ainda se encontra na primeira onda: redução de custos. A segunda onda vem aí e ela toca na qualidade. Esteja preparado.

Ainda não existe uma idéia clara e comum a todas as pessoas sobre o que é e-Learning.

Para muitos ainda existe o paradigma de que o e-Learning é o mesmo que e-Training, e mesmo para os que avançaram essa barreira, ainda confundem o e-Learning assíncrono (aprendizado totalmente independente de ações externas) ou síncrono (conduzido por um líder em uma sala de aula virtual).

Os problemas de ignorar esse mito são expectativas desconexas e resistências desnecessárias. Todos falam sobre a mesma coisa, porém os assuntos são diferentes. É paradoxal e transforma a equipe em uma verdadeira Torre de Babel.

Imagine a discussão entre 2 professores sobre e-learning. Um a favor e outro contra o e-Learning. Só que o professor que é a favor pensa no e-learning síncrono, ministrando sua aula online em um horário pré estabelecido. O outro tem o e-Training como verdade sobre o e-Learning e não concorda justamente com o fato de que sua aula será transformada em um curso passo a passo, sem um acompanhamento rigoroso como a academia exige.

A situação fica ainda mais grave se a instituição está implementando o e-Learning assíncrono. Não conquistou a simpatia do professor que já era contra o projeto e ainda não atendeu as expectativas do professor que defendia o e-Learning. Tudo isso como consequëncia do primeiro mito.

Essa situação nos traz a necessidade de CLAREZA na comunicação do que é e-learning entre os stakeholders do processo.

Esse foi o primeiro de 9 mitos. Essa semana trago a discussão sobre mais alguns.

Mitos do e-Learning

trecho do livro Beyond e-Learning, de Marc J. Rosenberg

(…)

Mito(s): Uma noção baseada mais na tradição ou na conveniência do que em um fato. – American Heritage Dictionary

A promessa exacerbadamente propagandística do e-Learning foi, em parte, alimentada por nove mitos:

  1. Todas as pessoas entendem o que é e-Learning.
  2. O e-Learning é fácil.
  3. A tecnologia do e-Learning equivale à sua estratégia.
  4. O sucesso é implementar o e-Learning.
  5. O e-Learning eliminará a sala de aula.
  6. Apenas certos conteúdos podem ser ensinados online.
  7. A proposição de valor do e-Learning é baseada na redução de custos da oferta de treinamento.
  8. Se você criá-lo, os resultados surgirão.
  9. Os aprendizes são o que realmente contam.

A adesão a esses mitos tem levado indivíduos, organizações e setores inteiros a tomar decisões baseadas nas crenças sobre a facilidade e a aceitação do e-Learning, que são, às vezes ingênuas. Mas os mitos não têm uma natureza histórica; eles continuam a influenciar a estratégia e a tomada de decisões em questões de e-Learning. O entendimento e a passagem por esses obstáculos são a primeira etapa para se avançar até uma estratégia mais confiante, bem sucedida e durável.

(…)

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